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Girará o meu mundo ao contrário de todos os outros?

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       Há uma altura na nossa vida em que começamos a tomar a real consciência das coisas... Nessa altura, percebemos que as pessoas raramente são o que mostram ser, que muito do que é dado de boa vontade trás intenções escondidas, que não devemos pôr as mãos no fogo por (quase) ninguém e que as grandes pessoas não apregoam sê-lo.        A partir do momento em que tomamos consciência disto, achamos que não seremos mais levados por quimeras, que temos o controlo e que, a nós, nunca mais ninguém nos engana. O certo é que, ao mínimo descuido, somos apunhalados à retaguarda, traçam-nos a perna ou encaminham-nos ao abismo.        Somos como jogadores de cabra cega, aos quais se vendam os olhos para que, em vãs buscas, encontrem o procurado. Sabemos que jogamos às escuras, que tudo são enigmas cujo código se perdeu. Custa-nos crer nisto, acreditar que nada se dá por garantido e que, a qualquer mom...

já lá vai

- Um capuccino com natas, por favor! O dia está frio mas o sol continua a espreitar por entre as árvores. A esplanada no meio da cidade, sempre cheia de gente, parece hoje mais doce, mais silenciosa, mais minha! Envergo os meus óculos de sol e o meu cachecol de lã. Estou confortável, sentada numa daquela típicas cadeiras de metal, que normalmente me dão cabo das costas, a beber o meu capuccino quente. E penso... Começo a pensar... Lembro-me de cheiros que associo a momentos que, por sua vez, associo a pessoas, a lugares, a histórias e a sentimentos. Faço uma breve retrospectiva daquilo que têm sido os meus últimos meses e constato que muita coisa mudou. Já uso saltos altos e até ousei comprar uma saia (coisa impensável noutros tempos), mas não é disso que falo. Penso na forma como me encaro hoje, na forma como me refiro a mim própria e, mais, na postura que tenho perante os outros e perante a vida. As coisas mudaram! Percebi que só serei vítima, se fizer de mim vítima. Ce...

és mais que simples acaso

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        Todos os dias, vidas se cruzam, olhares se trocam, abraços se oferecem, beijos se espalham, sorrisos se entregam, palavras se expulsam e pessoas se entrelaçam. A verdade é que o tempo passa e as pessoas se vão perdendo umas das outras, umas às outras e muitas vezes de si próprias. Aquele olhar, que naquele dia foi tão intenso, pode hoje ser só mais um olhar! Aquele abraço, que naquele dia nos aqueceu, pode hoje ser só mais um abraço! Aquele beijo, que naquele dia nos encheu a alma, pode hoje ser só mais um beijo! E assim sucessivamente. No entanto, há pessoas que recordamos indefinidamente, há vidas que mudam a nossa própria vida, há olhares que se eternizam na nossa memória, há abraços que são repetidos vezes sem conta, há beijos que nos fazem sentir como sendo únicos no mundo, há sorrisos que fazem parte do nosso quotidiano (mesmo que seja só na caixinha de recordações) e há palavras que ecoam sistematicamente nos nossos ...

you know that i want you

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        O coração palpita, o sangue fervilha nas veias, os músculos tremem, as maçãs do rosto puxam os cantos da boca, os olhos brilham, as palavras tropeçam e tudo aquilo que pode parecer muito errado, a toda a gente, é o mais correcto, o que faz mais sentido, o que traz mais felicidade, o que vale mais para mim!        Deixa-te ser meu, só mais uma vez… Mas deixa que essa vez seja para sempre! Vamos voltar àquele banco de jardim que nunca foi nosso mas nos pertenceu no primeiro momento! Eu volto a pôr aquele vestido, calço as mesmas sandálias, arranjo o cabelo da mesma forma, faço tudo igual, prometo!        Vem! Vem de vez!        Volta!        Eu digo-te (outra vez) que te amo e só preciso que te cales e que deixes que os teus olhos sorriam, não preciso de mais nada.       Entrelaça os teus dedos n...

Dizem que chá de cascas de cebola também é bom

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       Pede-lhe que traga a guitarra ou o violino. Bebe chá de perpétuas roxas para que a voz não te falhe. Não te esqueças das flores, rosas vermelhas de paixão. Ensaia. Veste-te a rigor. Tens a morada? Sabes como vir até cá? A minha casa é aquela baixinha de madeira, sabes? Aquela mesmo em frente aos chuveiros da praia.        Se bem te lembras, a primeira vez que nos vimos, era lá que estavas, a expulsar o sal que o mar colou ao teu corpo e eu ia, de chinela no pé, para a esplanada. O sol estava muito quente e tu bem sabes como eu gosto de gelados... Dia após dia, olhava-te. Comecei por apreciar o teu corpo, é bonito! Mas depois... Já dava por mim, deitada na toalha a imaginar-te ao meu lado, numa conversa envolvida por sorrisos carinhosos. E foi assim que me apaixonei por ti. Tu conheces bem a história. Deixemo-nos de recordações, por agora.        Estás pronto? Põe pernas ao caminho! Es...

ever ,

As saudades que tenho tuas, dessa tua cor, do teu som, do teu respirar, do teu rugido de liberdade expresso em cada sorriso e do teu olhar misterioso suspirado a cada canto já me consomem. Estou de tal modo corroída que até escrever as letras do teu nome me sabe a mel. Olhar-te de longe é um sufoco porque noutra situação, numa outra circunstância, num outro tempo estaria a correr para ti, de braços abertos reclamando esse aconchego que o teu olhar prometia. Bebia sabedoria das tuas palavras, tinha em ti o meu exemplo e de repente fiquei sem ti! Sim, continuo a sorrir e sabes porquê? Porque tu assim me ensinaste, ensinaste-me que temos sempre de levantar a cabeça porque derramar cloreto de sódio dissolvido em água não torna nada mais simples, apenas nos deixa com a vista turva.

Cinquenta Mil Graus Abaixo de Zero

Está calor! As raparigas pões vestidos curtos, estampados, de preferência com o biquini por baixo e tudo em tons claros para que sobressaia o bronze. Usam chinelas, pintam as unhas dos pés, uma pulseira no tornozelo e a flor no cabelo é a cereja no topo do bolo. Está calor! Os rapazes usam camisolas sem mangas e exibem os torneados braços. à noite não dispensam as calças de ganga porque os calções às cores apenas lhes dão o 'ar' na praia. Uma pulseira ou um colar de surfista e fazem uso da pele bem dourada. Está calor! Os corpos olham-se na praia e tocam-se na noite. Uma ou outra vez... Uma e outra vez... E tornam a tocar-se... Depois já é de dia e de noite... Parece que dá charme exibir, na praia, um corpo bem desenhado deitado numa toalha ao lado da nossa, é aquela eterna glória "tu queres, eu tenho!". Passou o calor... Os corpos deixaram de andar despidos... Deixou de haver pranchas de surf debaixo do braço... Acabaram as madrugadas nas dunas e os banhos a...