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Sabor&Arte

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Um médico e uma nutricionista a abrir uma galeria de arte, seria qualquer coisa! Arranjavamos um farmacêutico com vontade de investir e uma fisioterapeuta com jeito para a coisa e, ao fim e ao cabo, teríamos uma clínica privada em funcionamento, sem darmos por isso. Já há quem se revolte em prol da cultura. Fazem muito bem, opino eu! Precisamos de gente motivada, pessoas que troquem o sofá por um cadeirão de um teatro, pessoas que apreciem os músicos de rua, precisamos de gente que saiba o valor de um saltimbanco, gente que saiba que artistas não são só os que aparecem numa tela de cinema. Artistas são todos os que deixam que lhe corra nas veias a palavra cultura. Não precisas de mais nada. Deixa-te conquistar. Troca o dinheiro que gastas em tabaco por entradas num museu. Abdica de uma ou duas saídas à noite e conhece a cidade em que vives de dia. Riqueza não são os trocos que cá ficam depois de sermos cobertos de sete palmos de terra. Riqueza é saber viver, é aprender a...

Quase cara ou coroa

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Desde pequenos, desde muito pequenos, que somos ensinados a olhar para os dois lados da estrada antes de atravessar. Dizem-nos vezes sem conta que não falemos com estranhos. Ensinam-nos a contar, a soletrar, a pintar. Dizem-nos que o melhor tempo é o da escola. Contam-nos histórias antigas. Protegem-nos da melhor forma que podem e dão-nos muitas vezes aquilo que não podem. Mas todos, sem excepção, se esquecem que o melhor professor será sempre a vida e que se não fizermos por nós próprios, que se não errarmos, que se não formos curiosos e descobrirmos, nunca sairemos do nosso casulo em busca de algo diferente. Quando se parte de mochila às costas, para um lugar onde tudo é desconhecido, onde até as árvores rosnam murmúrios diferentes, é isto mesmo que fazemos. Procuramos área fora da nossa zona de controlo, mesmo sem nos apercebermos, desafiando-nos a nós próprios, à nossa capacidade de resistência e de improviso. Por muitos planos que sejam feitos, nada segue uma linha recta e nu...

Requeijão com Doce de Abóbora

A minha rua já eu conheço, leva-me para a tua e ensina-me a ser livre nela, como tu és. Mostra-me os becos escondidos, os esconderijos secretos, os cantos em que te aninhas, os jardins que já pisaste, as campainhas que já tocaste, tudo! Dá-me a conhecer o teu mundo que o meu já eu sei de cor. Mostra-me algo diferente e não te esqueças de dar relevo aos pormenores porque, por alto, parece sempre tudo igual. Apareceste como sal, para temperar a salada que tem sido a minha vida. Aquele ingrediente indispensável do qual, na sua ausência, sentimos sempre falta, mesmo que não percebamos bem porquê. E tu tens sido isto! Tens dado ênfase à parte doce dos meus dias e não resistes em fazer com que isso seja consistente. Vais aumentando o território que dominas e, a pouco e pouco, tomando conta de mim. Foste o refresco do meu Verão! Espero que sejas o meu agasalho nas manhãs frescas de Outono e conto contigo para seres a cereja do meu bolo rei. Este Inverno, conto com um novo cobertor e ...

Esse ângulo não é (COR)recto

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Agora nós! Vamos conversar! Tenho tanto para te dizer e não sei por onde começar (na verdade). Quem me dera saber dizer-te que escolheste o lado errado. Não tenho coragem para o fazer, por vários motivos. Para começar, não sou ninguém para o fazer, o teu poder de escolha é teu, SÓ TEU, e tens todo o direito de usufruir dele. Mas queria que pudesses ver (como eu vejo) que nem tudo é o que parece. Por muito egoísta que isto possa parecer, eu gostava que percebesses que eu tinha razão (que eu tenho razão!). Queria que visses (mais uma vez) as coisas do mesmo ângulo que eu (um ângulo que poderias ver se tivesses escolhido este lado). Gosto pouco (na verdade, não gosto nada) de escolhas entre pessoas. Devíamos poder ser sempre um todo, sem ter de apoiar uns em detrimento de outro. Mas a vida não é um constante (nem pontual) ideal! Teria (tenho!) tantas mais coisas a contar-te, porque (sejamos francos) nada tens sabido a meu respeito e isso incomoda-me. Mas sinto que poucas são as ...

Rádio Rabisco

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Deixando de parte os meus momentos de incredulidade perante o mundo ou as pessoas; afastando aquela pequenina raiva que, por vezes, me consome ao ouvir certos comentários ou decisões; esquecendo, apenas por momentos, a insensatez de crianças presas em corpos de adultos, hoje quero falar de amor. Mas amor a sério, que nestas coisas gosto pouco de brincadeiras. Não, não vos vou falar de uma ou outra paixoneta de Verão, dos tórridos namoros de adolescentes convencidos de que são pessoas grandes, nem tão pouco do desejo que TODOS nós, num ou noutro momento, vamos sentindo por um outro alguém. Não, nada disso. Hoje, quero falar-vos do meu amor a uma página em branco. Estranho?! Provavelmente, pelo menos assim, à vista desarmada. Recuso-me a deixar um papel em branco, assim mesmo, em branco. Faço dele o meu palco, da caneta as minhas sabrinas e das frases o meu bailado. Se, há uns anos, me dissessem que umas palavras rascunhadas eram mais do que isso, não acreditava. O impensável ...

À distância de um clic

Ligamos a net e a primeira coisa que fazemos é abrir a página do facebook. É um vicio, mas até aqui tudo bem. O drama começa com o abuso daquele rectangulozinho azul, o tão famoso "GOSTO". Usamos, hoje, excessivamente, este verbo. EXCESSIVAMENTE! E aos poucos, e isto é mesmo o pior, quase o desvalorizamos. Desmintam-me se não for verdade... Se X tem uma relação complicada, nós gostamos. Se Y põe no estado que está com diarreia, nós gostamos. Se Z tira uma foto com roupa de há dois séculos atrás, mesmo que achemos isso ridiculo, nós gostamos. Oi? Actualmente, parece que se gosta de tudo! Dramatismo ou não, o gostar foi extremamente vulgarizado e isto, sem dúvida, vai muito para além das redes sociais. Poucas são as pessoas que aplicam, no momento certo, este verbo e tudo porque passaram a usá-lo a torto e a direito, a custo zero. Aquilo que sentimos (ou, neste caso, dizemos sentir) faculta-nos a responsabilidade de sermos fiéis a esse mesmo sentimento. Mas, pelos vi...

Amazing Nature

Não me peçam para explicar que não sei fazê-lo, mas a tranquilidade que me dá uma noite de lua cheia é qualquer coisa de outro mundo. Parece que até o ar se torna mais respirável. A luz que ela emana inspira-me, faz-me perceber o poder da natureza e a capacidade que esta tem de fazer com que tudo bata certo. Acho que o meu organismo compreende essa beleza, que me limpa a mente, me alegra o espírito. E há tão pouca gente a sentir isto... Ou porque vivem no meio da cidade, onde tudo espirra luz eléctrica e ofusca todo o céu, todas as estrelas, todos os astros. Ou porque quando saem à rua, à noite, têm outras distracções. Ou porque, simplesmente, não ligam a pequenos grandes pormenores. Gostava mesmo de vos fazer ver o que sinto, mas não sou capaz, é demasiado mágico. Talvez se caracterize fazendo um bolo de fantasia, juntar duas colheres de encanto e cem gramas de espectacularidade, barramos a forma com serenidade e preparamo-nos para fazer o creme para colocar por cima depois. É fá...