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Vai à tua vida!

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Bom dia história por resolver. Como te sentes? Estás como sempre, não é? Pujante! És tão previsível, estás a perder qualidades. Já sei quando vais aparecer para me toldar os pensamentos e as certezas. Eu sei que às vezes te chamo para preencher vazios, mas acho mesmo que desta vez não o fiz. Chamei-te? Se não, para que vieste? Já não chega de me baralhares as ideias? Já não andamos nisto há tempo suficiente? Bom dia história por resolver. Seja bem (mal) aparecida! Há quanto tempo não te via? Confesso que não tive grandes saudades tuas. Fazes-me sempre mais mal que bem. Na maioria das vezes, trazes novas histórias que, tal como tu, vão ficar por resolver. Mas não te preocupes, ninguém te tira o pódio, hás-de sempre ser a mais mal resolvida. Bom dia história por resolver. Sabes? Acho que já fomos mais amigas. Já estive mais longe de te matar. Meia volta ainda te bato, mas tu és ruim que nem cobras e tens vidas que nem gatos. Talvez tivesses tido um bom final se me tivesses...

Capitão Romance

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Antigamente ainda me mandavas as saudades por correio. Letra redondinha, manuscrita com sabor. E no fim esboçavas um beijo com o teu batom. Um envelope vulgar só para ninguém descobrir. Ninguém podia saber que o carteiro, dentro da sua malinha de cabedal, transportava o teu coração a transbordar de saudades deste outro coração sempre cheio de ti. Era tão bom quando o papel trazia o teu cheiro. Eu conseguia ouvir a tua voz a cada palavra que lia. Conseguia visualizar o teu sorriso ao escrever cada linha… E sorria também. E depois escrevia-te de volta. Transpunha para o papel cada sílaba do meu amor por ti e sabia que o recebias inteiro, intacto e que o guardavas como ninguém. Tinha uma letra feia, nunca me preocupei em aperfeiçoá-la, era algo meu e tu nunca me quiseste subtrair de mim próprio. Acho que era isso que tínhamos de tão inigualável: a capacidade quase inata de respeito pelas características e convicções do outro. Nunca me pediste que mudasse por ti, nem eu p...

ficas a marinar...

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Sinto-me como estivesse permanentemente do lado errado da estrada, de uma estrada que tem sempre outro lado… O semáforo está verde para os carros, espero… Carrego no botãozinho. Espero… Fica verde para os peões, atravesso. Bolas, continuo do lado errado, mas como para a frente é que é caminho e as estradas para atravessar não terminam, volto a carregar no botão. Espero… Atravesso! E sinto-me novamente fora do sítio. Nunca estou bem onde estou… Já estive! Agora já não estou… Falta-me o banco de jardim partido que era sempre o mais confortável, podia esperar sentada que o sinal ficasse verde. E, normalmente, até tinha companhia. Hoje não, hoje o lado da estrada é sempre errado, o caminho é sempre o oposto, a companhia quase nunca tarda porque raramente chega e o banco de jardim fugiu… Pouco mais me resta que esperar… Esperar que a Primavera traga os amores-perfeitos plantados no passeio e que o Verão me devolva os sorrisos torrados de sol. 

Diário de Bordo

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Que nada te leve a pensar que a minha frieza é ensaiada ou que mantenho a distância só porque sim. Nunca pensaste que isto pode ser uma máscara? Uma arma de defesa? Nada te impulsiona a ver em mim uma ave frágil, de asas húmidas e que não sabe voar? Eu sei que teimo em fazer-me de forte, insisto em manter esta postura imperturbável, este estado de segurança própria aparentemente impenetrável... Mas eu sou mais que isso! Sou mais que um daqueles parágrafos com palavras complicadas e sentido vago, sou um desenho a carvão, um esboço tosco que, com o toque certo, pode vir a ser algo de valor.  Não gosto das pessoas que se queixam muito de ter tido uma vida difícil, normalmente essas são as pessoas que consideram difícil o facto de não terem namorado há algum tempo ou de os pais não lhe terem oferecido o último grito da tecnologia no Natal passado. Por isso, raramente me queixo. Tento viver com o que tenho, com o que me calhou em sorte (e em trabalho!). Mas a minha armadur...

'Sempre alerta, para o impossível alcançar'

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Mochila às costas. É hora de partir! Hora de deixar para trás trivialidades, bens supérfluos, levar apenas o indispensável. Hora de escolher, de optar e de seguir caminho. Escarpa acima, faça chuva ou faça sol, calor ou frio, molhados de suor ou de chuva, ir é imperativo. Adormecer sob a escuridão do nevoeiro, acordar sob o mais radioso sol. Encher o peito de ar, respirar fundo, abrir os olhos e ver... Ver toda a beleza que o silêncio transporta, ouvir, cheirar, sentir! Inspirar... Expirar... Nós fazemos parte da juventude que respira!

conversa de isqueiro

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  Sento-me na primeira mesa que encontro livre. Na verdade, há muito tempo que não venho cá. Só gosto disto quando está sol. Avisto o senhor de camisa branca. «Uma água, por favor». Isto hoje está mais vazio que o habitual, pensei. Vejo na outra ponta da esplanada um gin tónico em cima da mesa, em torno dele uma mão cansada de sol. Eu nem sou destas coisas, mas aproximei-me. Sentei-me sem pedir autorização e bebi a minha água, em silêncio, enquanto tu continuavas de olhos baixos. Abri o meu SG Ventil , ofereci-te um cigarro que recusaste com um abanar da cabeça. Também não fumei. Olhaste-me, pela primeira vez. «Sou o João». Assim, seco, sem emoção. Esperei que continuasses. Não o fizeste. «Sou a Margarida». Os teus olhos voltaram a levantar-se, desta vez para o empregado, «Mais um». E, como se uma rolha tivesse saltado, espingardeaste: «Com o Mário? Com o Mário?! Ele é meu irmão. Eu amo-o. E amo-a! Fico de mãos e pés atados, não posso bater-lhe, é meu irmão. Assisto...

Da tua SEMPRE irmã...

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Para o T. Não, não vou contar a nossa história, não preciso. Quem tem de saber, sabe. Os outros vão descobrindo nos nossos olhos. Estou aqui para te agradecer! Por tudo e por nada. Por hoje e por sempre. Por esta coisa indestrutível que temos e por todas as vezes que não permitiste que nos destruissem. Por estrares sempre do meu lado e por me dares para trás. Por me fazeres gargalhar e por me deixares tão feliz ao ponto de não ser grave que caia uma lágrima. Por saberes bem o significado da palavra amizade e por não hesitares em pô-la em prática. Por me ensinares muito do que sei hoje, nas infindáveis horas de olhares trocados e por te zangares sempre que não aprendi. Por cozinhares comigo e por fazeres da minha vida um lugar com cores diferentes. Obrigada por respirares o mesmo ar que eu. Fica sempre comigo.