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Dizem que avós são pais duas vezes...

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Quando somos miúdos, sonhamos  um dia pintar sem sair do risco. O que não sabemos é que quando isso acontece, já não temos idade para pintar. Benditas Mandalas! Há coisas em que pensamos a propósito de quase nada, esta é uma delas. Há uns dias, estava eu a fazer um scroll no feed do facebook  quando me deparo com uma foto, entre muitas. Mas esta prendeu a minha atenção. Uma rapariga que conheço desde sempre, pouco mais velha que eu, que só não é mais minha amiga porque o tempo determinou que seguíssemos rumos diferentes, mas com ela partilhei a minha infância, os bancos da escola primária, as brincadeiras no recreio... Na foto estava ela, acompanhada da avó (que é praticamente minha vizinha), estava a dar-lhe os parabéns e a declarar que era uma das mulheres da sua vida pois foi ela que a criou. E de repente fez-se um click  na minha cabeça e percebi que quando eu entrei para a escola, o raro eram as crianças que tinham andado num infantário, numa ...

Nunca fui boa cozinheira...

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Nem todos os bolos saem bem... Deste-me dois copos de ilusão e eu bebi. Bebi rápida e convictamente, achando que dali viria a fonte da felicidade. Chegaste com uma colher de sopa de sonhos, bem cheia e eu partilhei-a contigo, não a quis só para mim. Em troca destes ingredientes dissimulados, dei-te dois quilos de segredos, onde misturei uma pitada de mistério.  No dia seguinte, apressaste-te a trazer-me renovação de stock . Mais frascos de sorrisos (que ainda não sei se eram reais), pacotes e pacotes de promessas, as palavras certas embrulhadas em papel aderente para não correres o risco de se conspurcarem na tua mente e quantas mais coisas vãs. Levaste sempre de mim uma dose cheia, eu por inteiro, resmas e resmas de sinceridade (mesmo quando ela não tinha o melhor aspeto) e até o meu mau feitio eu moderei e apenas to dei q.b. Parecia tudo certo, mas sabes o que faltou? A outra metade de ti. "Para dançar o tango são precisos dois", que é como quem diz que p...

só me falta gostar de sardinha!

Dou por mim a armar-me em mestre da culinária, percebo que gosto mais de cebola do que achei que fosse possível e até já compro pimentos para colocar na comida... O cheiro... Os cheiros, sempre os cheiros... Foi o cheiro a pimento que me levou a outros tempos, a outros espaços... Estava a cortar pimentos às tiras e quando virei a cara, o cheiro levou-me aos almoços no mato num dia de praia em família. Em família e com mais uns quantos, não sabemos ser só nós, vem sempre mais alguém.  No tempo das vacas gordas, saiamos cedo de casa para não apanhar trânsito e aproveitar a praia. Até lá chegar havia um moroso caminho. A primeira paragem era numa pastelaria qualquer, normalmente sempre a mesma, tomava-se o pequeno almoço e comprava-se pão para o almoço. Às vezes pergunto-me se é só na minha família que se come toneladas de pão. Siga caminho. A paragem seguinte era no mercado. O objetivo? Comprar peixe para grelhar ao almoço e pimentos. Nunca lhes achei piada, mas ontem... Ontem e...

No tempo em que eu usava jardineiras...

Ando outra vez embrenhada nas minhas leituras (sim, houve aí uns tempos em que não tinha vontade nem paciência, até parece mentira, não é?). E voltei a um livro antigo , "A Filha do Capitão", o meu pai ofereceu-mo há uns anos e não consegui lê-lo, na altura fartei-me na terceira página (isto é, se lá tiver chegado). Achava-o demasiado descritivo e tinha a mania que não gostava de livros de época. Entretanto conheci a Manela (a minha professora de português do secundário) que me ensinou a beleza que podem ter as descrições e aprendi também que não é na primeira ou na segunda página que se percebe se gostamos de um livro ou não. Outro dia, na falta de livros novos na estante, fui buscá-lo. E não é que comecei a gostar? Confesso que me entusiasmou mais quando percebi que tinha como cenário a 1ª Grande Guerra e a forma como ela ia sendo trabalhada. Lá vou eu, quase a meio de um livro com a grossura da Bíblia que a minha avó me ofereceu quando era miúda.  Ontem, algures no meio...

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Lembro-me de quando fiz dezasseis anos. Tinha acabado de entrar para os escuteiros, o secundário começara há poucos meses, numa escola nova (...). Passaram cinco anos. E algumas das minhas pessoas naquele ano, continuam ainda a sê-lo. Ainda não o encontrei o homem da minha vida mas estou tranquila. Reconciliei-me com o meu passado e cessei todas as guerras que fui tendo comigo própria por isso. Estou prestes a começar uma nova fase da minha vida. Longe das minhas pessoas, da minha casa, da minha cidade, quase começar do zero. Não vou como tábua rasa, tenho os meus interesses, os meus conhecimentos, as pessoas que fui conquistando e que deixei que me conquistassem, levo na memória e na mala histórias de uma vida, ainda que curta, e espero continuar a escrevê-las por lá. Hoje começa um novo ano da minha vida e eu espero que ele seja recheado de pessoas boas!

"até amanhã" (ou até sempre)

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Nos últimos dias emprestei a minha alma a uma vida que já não é minha. Até dormi num quarto que não é meu, nem é de ninguém. Vai sendo de por quem lá passa na mesma medida em que um qualquer outro será meu em breve. Está a chegar a hora. A hora de deixar os planos, a hora de pôr a minha vida numa mala e ir. Trancar 20 anos com um fecho éclair e meter-me num comboio com destino ao meu futuro, por muito incerto que ele possa ser. Chegou a hora de… Não sei que hora é, não sei o que me espera nem sei o que esperar. Sei só que já passou o meu tempo aqui, sentada sem mais nada que fazer. Agora é tempo de outros voos. 

fruta da época

Tenho saudades da mercearia do bairro. Aquela lojinha na qual entras e podes comprar cenouras ou ganchos para o cabelo. Onde os iogurtes vivem no corredor vizinho dos cremes para as mãos. Aquela lojinha onde há tudo o que precisas, para qualquer emergência. Quando ainda havia uma mercearia na minha vida, era eu muito miúda, as pessoas mais velhas não se rendiam aos supermercados e eram fiéis à lojinha onde encomendavam pão e pagavam as contas ao mês. Lembro-me de um Natal em que recebi imensas cuecas, todas iguais, mas de cores diferentes, tinha vindo um modelo diferente para a mercearia. Gosto desta coisa de olhar para o interior de uma loja e parecer-me tudo demasiado cheio, demasiado desorganizado, mas na verdade com uma arrumação incrível. E estas lojas têm mesmo tudo. Aliás, quase tudo… Faltam-lhes pêssegos em Dezembro.