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Taras e manias

Acho que sempre fui uma pessoa de frases feitas, sempre adorei provérbios e acho imensa graça a umas quantas expressões idiomáticas pela parvoíce que são se as tomarmos à letra. Há uma que me tem dado que pensar: "fim do mundo em cuecas". E para quem não sabe o que significa (sim, porque nunca sei até que ponto não há destas expressões que apenas correm no seio da minha família) usa-se, por exemplo, quando o quarto está todo desarrumado, a mãe entra, põe as mãos à cabeça e diz: - Este quarto parece o fim do mundo em cuecas !! E isto nada tem a ver com os eventuais pares de cuecas que possas ter espalhados por lá (esta é outra, "par de cuecas", par, porquê par? porque tem dois buracos? que eu saiba nenhum de nós tem um par de narizes na cara!), apenas significa  que está tudo desarrumado, espalhado, desorganizado... Bem, apenas significa que é o teu quarto! E porque é que tenho pensado nesta expressão? Não é porque não tenha mais nada que me fazer, apenas porque ...

COISAS ESTRANHAS QUE AS PESSOAS FAZEM

- Pôr um paninho em cima da louça que está a secar no escorredor. De preferência o melhor que se tem na gaveta, como quem veste todos os dias a roupa de ir à missa ao domingo. Se tiver uma rendinha à volta a probabilidade de ser o escolhido aumenta consideravelmente. A utilidade disto varia de cozinha para cozinha: para os que sujam tudo enquanto cozinham, serve de proteção à louça lavada (ou será só mais um sítio onde se pode limpar as mãos?); para os que usam o escorredor como armário, ou seja, os que deixam lá a louça tanto tempo que sempre que precisam é lá que ela está, para esses o paninho serve para amparar o pó que anda pelo ar; para a maioria dos mortais, não serve para absolutamente nada, nem para enfeitar e é apenas e só um hábito que já quase se tornou tradição.

Dia 20 - ESCALAR

Escalar: galgar, trepar . Há quem ache que olhar para a frente é sempre melhor do que olhar para trás. Tenho de concordar, mas não sempre, só às vezes. Hoje ouvi uma frase que me provou isso mesmo: “Em vez de achares que és a mais fraca dos que cá estão, lembra-te que és a mais forte dos que já foram.”. E talvez a máxima seja exatamente esta, quando faltar muito caminho, olhar para trás e ver o que fomos capazes de fazer. Sou escuteira, já devo tê-lo mencionado “um cento de vezes” (esta é uma expressão que a minha avó usa e a que eu acho uma certa piada). E sou muito apaixonada por tudo aquilo que o escutismo me dá. Estas máximas de que falei são mais do que aplicáveis. Lembro-me de um momento específico. Uma noite saímos para aquilo que achávamos ser mais uma atividade. Esperávamos um grau de dificuldade normal, nada que já não tivéssemos feito e apesar de cada uma ser única, às vezes esperamos pouco. As temperaturas eram baixas, frio de fevereiro. Rumámos à Aldeia das Dez. E ...

Dia 19 - LISTAR

Listar: pôr em cardápio. Estamos a mais de metade do último mês do ano. Estamos a 5 dias do Natal. Estamos a 12 dias de 2016. Quantos planos de 2015 ficaram por cumprir? Quantas pessoas ficaram pelo caminho? Quanto de ti se apagou? Às vezes acho que devíamos ter uma conversa com o nosso passado, intimidá-lo, obrigá-lo a dizer porque nos deixou, porque não se manteve. Depois acho que é estupidez, que devíamos era ter uma conversa com o nosso futuro, intimidá-lo, ameaçá-lo, dizer-lhe o que queremos, o que esperamos e que não nos desiluda se não partimos-lhe as duas pernas e damos-lhe um sorriso igual ao do Tiririca. Se calhar não devíamos falar com o nosso futuro mas com o nosso “eu” do futuro. Gostava de lhe explicar que agora sou só isto mas que quero que o tempo o ajude a ser mais, a ser melhor, que quero que se ame por inteiro, que seja completo e que tenha uma vida cheia de pessoas que se adorem. Queria dizer-lhe quais são os meus sonhos e que espero que por altura do nosso co...

Dia 18 - CONVIVER

Conviver: viver com o outro. Adoro jantares de amigos, de todos os tipos. Gosto quando jantamos antes de uma noite de Queima e nos emborrachamos como se não houvesse amanhã. Gosto quando jantamos porque sim e acabamos a noite à conversa e a jogar Pictionary . Gosto quando jantamos para celebrar um aniversário. Gosto quando jantamos para nos despedir. Adoro jantares de amigos, há quem defenda que é a melhor rede social e eu sinto-me na obrigação de concordar. Estou mortinha para que os meus amigos comecem a casar. Vê-las vestidas de noiva, vê-los adultos, de gravata e com os nervos a escorrerem-lhe pela testa. Nós de capas estendidas na saída da igreja. A foto de grupo. O almoço sempre servido à hora do lanche. Os primeiros casamentos em que partilhamos mesa com amigos e não com família. A pista a ser nossa. A noiva a atirar o ramo enquanto todas as amigas se esquivam discretamente e os namorados estão pelo bar como se nada fosse (como tão bem explica a Maria das Palavras ). O fi...

Dia 17 - ENCANTAR

Encantar : maravilhar, enlevar. Calço 36, algumas vezes 35, raramente 37. Tenho o chamado pé de princesa. Verdade seja dita que é a única coisa. Não sou loira nem tenho olhos claros. Não uso vestidos longos, não tenho mãos esbeltas e rio-me à boca cheia e de olhos fechados. Não sei cantar e todos os meus esforços para aprender a tocar piano foram em vão. Não sei costurar, fazer tricot nem nada dessas coisas de menina prendada. Questiono demasiado as regras de etiqueta e não gosto de cavalheirismos. Portanto, como vêem, de princesa só mesmo o pé. Será? Afinal, nos nossos dias, o que é uma princesa? No nosso mundo, o que é uma princesa? Esquecendo obviamente as que têm sangue azul  ou que casaram com alguém que o tenha. Será a definição de princesa “A mulher que todos os homens  gostavam de ter e todas as mulheres gostavam de ser”? Ou no meio desta “juventude perdida” princesa é aquela que é normal, como todas deviam ser, a miúda às direitas? Queres ser uma princesa? ...

Dia 16 - SABOREAR

Saborear: tomar o gosto a, entregar-se com prazer a. Não sou fã de passas, não sou fã de frutos secos na sua generalidade. Acho alguma piada a pinhões mas recuso-me a comprá-los a preço de ouro. Gostava era quando ia com os meus avós apanhar pinhas para a lareira ou para o forno de lenha e nos sentávamos a comer pinhões, depois de partidos com a primeira pedra que viesse à mão. Tenho grandes recordações, brincadeiras de miúda, debaixo da nogueira dos meus avós. A nogueira que acaba por ser um marco no terreno, há a horta que está abaixo e a que está acima da nogueira. Mas não consigo comer nozes, cortam-me a língua (bem como o ananás, as batatas fritas de pacote, os orégãos, o tomate, o fígado… É, sou um bocado sensível!). Passas deve ser o único fruto seco que me obrigo a comer. Nas broínhas – há muitos anos que, lá em casa, as broínhas são feitas com frutos secos porque há quem abomine frutas cristalizadas – e na passagem de ano. Não me considero especialmente supersticiosa ma...