Capitão Romance
Antigamente ainda me mandavas as saudades por correio. Letra redondinha, manuscrita com sabor. E no fim esboçavas um beijo com o teu batom. Um envelope vulgar só para ninguém descobrir. Ninguém podia saber que o carteiro, dentro da sua malinha de cabedal, transportava o teu coração a transbordar de saudades deste outro coração sempre cheio de ti. Era tão bom quando o papel trazia o teu cheiro. Eu conseguia ouvir a tua voz a cada palavra que lia. Conseguia visualizar o teu sorriso ao escrever cada linha… E sorria também. E depois escrevia-te de volta. Transpunha para o papel cada sílaba do meu amor por ti e sabia que o recebias inteiro, intacto e que o guardavas como ninguém. Tinha uma letra feia, nunca me preocupei em aperfeiçoá-la, era algo meu e tu nunca me quiseste subtrair de mim próprio. Acho que era isso que tínhamos de tão inigualável: a capacidade quase inata de respeito pelas características e convicções do outro. Nunca me pediste que mudasse por ti, nem eu p...