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A mostrar mensagens de Novembro, 2013

corações arquitetónicos

Será possível concebermos a nossa vida como uma cidade? Uma cidade em que cada edifício tem uma história para contar, edifícios podres de mau génio, edifícios caídos de sofrimento, edifícios restaurados por fora e corroídos por dentro, edifícios com mau aspecto mas um coração enorme e de ouro, edifícios mais importantes, edifícios que só estão para ocupar espaço, edifícios mais perto, edifícios mais longe, edifícios que fazem parte do nosso condomínio… E nós? Que somos nós nesta cidade? Por mim seremos duas casas geminadas, simétricas, com a mesma entrada e núcleos iguais. Pouco importa quem mais nos habita porque já nos habitamos um ao outro. Quando tocarem na minha campainha, tu também ouves e quando o teu alarme soar, eu hei-de acordar como se fosse o meu. Vens ser isto comigo?
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(em consonância com http://guarnecer.blogspot.pt/2013/11/omega-alfa.html)

E beijei-o!
E assim terminou esta nossa brincadeira. Obrigada ao Guarnecer pelo desafio e por tudo o resto!

Borboletas e o mundo inteiro

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(em resposta a http://guarnecer.blogspot.pt/2013/11/constelacoes.html)



Agora percebo as pessoas que falam de borboletas no estômago. E percebo ainda melhor aquelas que dizem: o meu estômago não tem borboletas, tem um zoo inteiro. Por muito grosseiro que isto possa parecer. Nunca um corpo me pareceu tão próximo do meu como o teu. Por momentos tive medo que se fundissem, depois percebi que se isso acontecesse era o melhor do mundo e que não havia nada a recear. Percebi que há instantes que deviam durar para sempre e que só não duram porque o resto do mundo perderia importância. Percebi que nenhuma estrela brilha mais que esses teus olhos. E percebi que me podia perder neles a cada segundo. Percebi que eu e tu podemos inverter papéis e ter o mesmo papel sem sairmos de nós próprios e sabes porquê? Porque quando somos um só, somos muito mais que dois.


Poder da expressão

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(em resposta a http://guarnecer.blogspot.pt/2013/11/saborear.html)


Eu precisava mesmo de saber de que era feito este nosso NÓS. Mas a tua resposta era tão válida que não tive coragem de repetir a pergunta. Pus-me a pensar e tu deves ter percebido, vi-te franzir a testa. Há mil anos que me conheço e sei do que sou feita, mas desde que me relaciono com pessoas que percebi que nenhuma delas o sabe. Muito poucas percebem o que me move e raramente encontro alguém que saiba aquilo que penso ou sinto sem que eu lhes diga. Já disse a muitas que sou feita da matéria dos sonhos (como defendia Shakespeare), mas acho que isso ainda as deixou mais baralhadas. Acho que hoje toda a gente é demasiado realista, toda a gente tem demasiado os pés no chão. Sim, vivemos tempos difíceis, eu também sei isso, mas não o terão sido todos? E isso é razão para deixarmos de sonhar? De acreditar nas nossas convicções, naquilo que de melhor vemos no mundo, na vida e nas pessoas? Isto sou eu a baralhar quem me rodeia…

O outro lado

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(em resposta a http://guarnecer.blogspot.pt/2013/11/os-dias-vao-passando-o-tempo-vai.html)


Olhei o relógio vezes sem conta, olhei em redor duas vezes mais, algumas pessoas devem ter achado que era psicopata de tanto que as observava. Nenhum olhar era o teu, nenhum rosto era o teu, ninguém era como tu, tu não estavas, tu não vinhas. E nesse momento acho que te senti raiva! E raiva de mim também, por ter acreditado. E depois arrependi-me solenemente de não ter trazido uma caneta para riscar todos aqueles papéis. Peguei neles, arranquei-os, amachuquei-os, mas guardei-os… Passaram-me mil e uma coisas pela cabeça. Estava chateada, deveras chateada e nem sabia que pensar. Apanhei o primeiro autocarro que apareceu, sem sequer me aperceber qual era, para onde ia. Entrei de cabeça baixa, desejei uma boa noite ao condutor (nem quando estou num dia mau consigo deixar de o fazer, as pessoas merecem a nossa consideração) e mantive-me de pé. De repente senti uma mão no meu ombro e achei que tinha de…

Antevisão (ou não)

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(resposta a http://guarnecer.blogspot.pt/2013/11/numa-noite-ja-noite-onde-cidade-se.html)


“Vem, vem connosco!” – insistiam elas ao telemóvel. Não, hoje não me apetece ir dançar (e não, não estou doente) mas hoje queria outra coisa. Apetecia-me ficar no sofá a ver um filme e a comer bolachas torradas com nutella ou então ir a uma esplanada à beira rio beber um chá quente. Não fiz uma coisa nem outra, mas também não fui dançar com elas. Quando cheguei a casa, ao fim da tarde, tomei um banho, comi qualquer coisa, calcei umas sapatilhas e saí. Já tinha escolhido o meu plano: um passeio a pé, pela cidade, à noite. Gosto das luzes, a cidade já está enfeitada para o Natal, apesar de ainda não estarmos a meio de Novembro (quanto custará tudo isto?) e o passeio torna-se mesmo agradável, mesmo estando sozinha. A solidão assusta-me a cidade, à noite, também. Mas hoje não! Estou tranquila e, se calhar, estava mesmo a precisar deste tempo para mim. Passo pelo centro comercial e vejo a quantidade de…

Provado

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(resposta a http://guarnecer.blogspot.pt/2013/11/a-prova.html)


Tenho andado atarefada nos últimos dias. Caixotes por todo o lado. Tenho a vida empacotada. Com todo o trabalho que tenho tido a solução é ir arrumando tudo aos poucos, por ordem de prioridades: primeiro a roupa e os sapatos, depois os livros e depois o resto. Sim, neste momento a minha casa só não parece um armazém porque tem três estantes de livros na sala. Estava a precisar disto, de conquistar um novo espaço para mim. A casa dos meus pais traz-me imensas recordações e sou muito feliz lá, mas aquela cama de pessoa e meia (que raio é isto de “pessoa e meia”?) com colchas aos bonecos já fartava. Sim, nós mudamos. E temos de obrigar a vida a mudar connosco. Esta foi a minha mudança. Se a minha mãe visse o estado em que está esta casa diria, como sempre que deixo algo fora do sítio, que para mim está sempre tudo bem, que nada me incomoda… Não é bem isso. É só que tenho prioridades e desencaixotar bibelôs e toalhas de renda n…

Vista Turva

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(em resposta a http://guarnecer.blogspot.pt/2013/11/ela-mas-quem-era-ela-uma.html)


Olá, sou eu… Sim, tu sabes a que eu me refiro, ao eu que cruzou o olhar contigo de baixo daquela chuva toda, que pensou durante momentos que serias uma ilusão. Ou provavelmente és mesmo uma ilusão e eu acabei de ser enganado por um simples velhote… Gostava que provasses que estou errado… Espero uma resposta tua… Até já! Ali estava eu, boquiaberta. Eu ia só confirmar o horário do meu autocarro e eis que sou surpreendida por isto. Chamem-lhe curiosidade feminina, sexto sentido, o que quiserem, mas não consegui deixar de ler. E assim que li, não tive a menor dúvida que era para mim. Mas depois os meus pensamentos ficaram confusos. Sim, é para mim! Ou talvez não seja. Se calhar não passa de uma brincadeira de miúdos. Aposto que ele nem me viu. E se não for? Se for a sério? Vou responder-lhe, que nem tonta, com um bilhete na paragem do autocarro? Foi estranho aquele momento em que nos vimos… (Em que eu te vi. S…