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A mostrar mensagens com a etiqueta lucidez versus insanidade

ângulo raso

O Bruno é o meu amigo de sempre. Costumava descer a rua e sentar-se no degrau de minha casa, à espera que eu saísse para irmos para a escola. Nunca tocou à campainha.  Pelo caminho falávamos do jogo de futebol do dia anterior. Ele sempre pelo desporto, eu sempre pelo Benfica. Talvez tenhamos falado, uma ou duas vezes, dos nossos sonhos, mas éramos dois miúdos e vivíamos no agora. O Bruno era a única pessoa a quem eu confiava os meus legos e o Eusébio, o peixe vermelho que tive durante anos e de quem o Bruno tomava conta sempre que eu ia de férias para a serra, para casa dos meus avós.  Daquelas zangas mais sérias, acho que só tivemos uma. O Bruno andava embeiçado pela Joana, aquela manienta do 7ºC e passava mais tempo a rondá-la do que a qualquer outra coisa. Ficou muito zangado comigo quando lhe chamei de parvo porque a miúda não lhe ligava nenhuma e ele andava a fazer figura disso mesmo, de parvo. Metemo-nos em muitas trapalhadas juntos, como quando, na noite d...

Tesoura afiada com capa de veludo

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(ou se quisermos, "Lobo disfarçado de cordeiro") Quando cheguei, o quarto não era meu. O candeeiro frouxo em cima da secretária de metal tornava o espaço frio e alheio. Não me demorei a olhá-lo, ter reparado na moeda caída aos pés da cama foi uma sorte. Saí e percorri o resto do corredor, ao fundo a cozinha. Antiga, com azulejos que parecem de coleção e os tachos pendurados na chaminé, evocava os palacetes dos filmes. Só faltava a Aurora, de avental e touca na cabeça. Ah! e aquele vidro rachado também destoa. Cada divisão da casa parecia ter sido tirada de uma época diferente. Concluí isto depois de entrar na casa de banho, decorada em bordeux e preto. Louças modernas e novas, um tapete felpudo, uma banheira grande e frascos de espumas de banho e óleos de massagens no parapeito da janela.  O vidro fosco não me deixava ver muito, por isso abri a janela e percebi que a divisão que se encontrava imediatamente à direita da casa de banho tinha uma varanda. Saí ...

Nunca fui boa cozinheira...

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Nem todos os bolos saem bem... Deste-me dois copos de ilusão e eu bebi. Bebi rápida e convictamente, achando que dali viria a fonte da felicidade. Chegaste com uma colher de sopa de sonhos, bem cheia e eu partilhei-a contigo, não a quis só para mim. Em troca destes ingredientes dissimulados, dei-te dois quilos de segredos, onde misturei uma pitada de mistério.  No dia seguinte, apressaste-te a trazer-me renovação de stock . Mais frascos de sorrisos (que ainda não sei se eram reais), pacotes e pacotes de promessas, as palavras certas embrulhadas em papel aderente para não correres o risco de se conspurcarem na tua mente e quantas mais coisas vãs. Levaste sempre de mim uma dose cheia, eu por inteiro, resmas e resmas de sinceridade (mesmo quando ela não tinha o melhor aspeto) e até o meu mau feitio eu moderei e apenas to dei q.b. Parecia tudo certo, mas sabes o que faltou? A outra metade de ti. "Para dançar o tango são precisos dois", que é como quem diz que p...

só me falta gostar de sardinha!

Dou por mim a armar-me em mestre da culinária, percebo que gosto mais de cebola do que achei que fosse possível e até já compro pimentos para colocar na comida... O cheiro... Os cheiros, sempre os cheiros... Foi o cheiro a pimento que me levou a outros tempos, a outros espaços... Estava a cortar pimentos às tiras e quando virei a cara, o cheiro levou-me aos almoços no mato num dia de praia em família. Em família e com mais uns quantos, não sabemos ser só nós, vem sempre mais alguém.  No tempo das vacas gordas, saiamos cedo de casa para não apanhar trânsito e aproveitar a praia. Até lá chegar havia um moroso caminho. A primeira paragem era numa pastelaria qualquer, normalmente sempre a mesma, tomava-se o pequeno almoço e comprava-se pão para o almoço. Às vezes pergunto-me se é só na minha família que se come toneladas de pão. Siga caminho. A paragem seguinte era no mercado. O objetivo? Comprar peixe para grelhar ao almoço e pimentos. Nunca lhes achei piada, mas ontem... Ontem e...

fruta da época

Tenho saudades da mercearia do bairro. Aquela lojinha na qual entras e podes comprar cenouras ou ganchos para o cabelo. Onde os iogurtes vivem no corredor vizinho dos cremes para as mãos. Aquela lojinha onde há tudo o que precisas, para qualquer emergência. Quando ainda havia uma mercearia na minha vida, era eu muito miúda, as pessoas mais velhas não se rendiam aos supermercados e eram fiéis à lojinha onde encomendavam pão e pagavam as contas ao mês. Lembro-me de um Natal em que recebi imensas cuecas, todas iguais, mas de cores diferentes, tinha vindo um modelo diferente para a mercearia. Gosto desta coisa de olhar para o interior de uma loja e parecer-me tudo demasiado cheio, demasiado desorganizado, mas na verdade com uma arrumação incrível. E estas lojas têm mesmo tudo. Aliás, quase tudo… Faltam-lhes pêssegos em Dezembro.

40 cartas, uma história

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Olá, eu sou o António. O avô António. Daqui a uns anos os avôs vão chamar-se Rodrigo ou David e já ninguém vai ter o avô Zé ou Manel. Esta modernice nos nomes… Hoje fui ao jardim, vou lá algumas vezes. Sentei-me numa das mesas, sozinho. Na mesa ao lado dois avôs, como eu (com certeza nenhum chamado Miguel), a jogar dominó – o famoso jogo dos reformados. Não gosto muito de jogar mas gosto de observar, traz-me memórias. A minha predilecção sempre foi a sueca (e não, não vou fazer aquela piada fácil “mas também gosto de francesas e russas”). A sueca é um jogo de mudos – aprendi eu a entoar sempre que os adversários menos experientes faziam comentários sobre o jogo. Há algum tempo que deixei de jogar a sério. Com adversários e parceiros a sério. O meu parceiro partiu faz algum tempo. Foi também o meu professor. Foi com ele que aprendi qual a carta mais acertada a jogar, quais os sinais que devia fazer-lhe para que percebesse as minhas intenções, encobri-o numas quantas batotas… Fui...

Simulacros e outras tretas

No meio da minha rotina hoje tive a excepção mensal, o dia de ir à vacina (mais ou menos como os bebés, todos os meses). Perdi a manhã inteira entre salas de espera, secretariados, “vais para ali… e agora para acolá”, o corre-corre que é sempre uma manhã destas no hospital. O tempo passa e passa. A vacina acaba e já tenho pouco mais de meia hora para sair dali, almoçar e ir para as aulas. Decidi ir ao centro comercial comer qualquer coisa rápida. Na porta está um aviso: simulacro. Por distracção, demora na assimilação da mensagem e depois preguiça de voltar atrás fiquei sem saber a que horas se daria o dito cujo. Bem sobrou-me assunto de reflexão para o resto do dia. Acho que sempre achei estes simulacros avisados inúteis. Não servem para testar a eficácia das evacuações já que as pessoas sabem perfeitamente que não correm perigo e como tal continuam a passear-se até à saída de emergência. Não servem para controlar o pânico porque, na verdade, não há pânico. Tudo se processa em câma...

Novas guerras: check-in

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Uma vez li em algum lugar que os aeroportos são o sítio onde mais demonstrações de amor se vêem. Concordei de imediato mas nunca pude compreendê-lo tão bem como há uns dias. Quem parte leva novos sonhos, novas ideias, promessa de novos sítios, novos futuros e, mesmo que vá contrariado, não tem de conviver com a ausência materializada nos sítios onde costumavam estar juntos.  Noutros tempos, os portos tinham esta função, a de serenata ao luar . Os barcos partiam, levando para a guerra corpos e almas que deixavam cá metade de si. Hoje, os aeroportos têm os postigos que, outrora, tinham os navios. Vêem-se partir, agora em aviões, os nossos para outra guerra - a busca de uma nova vida. Quem fica vê na porta de embarque o portal para o outro mundo. Um mundo desconhecido que absorverá os seus filhos, maridos, mulheres, amigos e amigas. Sim, agora não se trata de uma chamada aos rapazes de dezoito anos. É, antes, uma ida de qualquer um que precise de lutar pela sua vida.  Quando...

amor a bordo

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Neuss, 4 de Setembro de 2014 Querida Coimbra, Tenho-te longe e tenho sentido a tua falta. Por estas bandas as coisas são diferentes. Não nego que tenho sido feliz por cá mas preciso de ti. Para mim, a Alemanha é o país das bicicletas (ainda que só conheça este pedacinho quase mais pequeno que tu). A toda a hora, em todo o lado se vê alguém de bicicleta. Não penses que são profissionais ou obsessivos com o desporto, usam-na pela sua utilidade. Podes vê-los de fato e gravata com a mala no cesto da bicicleta, a caminho do trabalho. Há pistas e estacionamentos em todo o lado. Esta gente sabe o que faz! Esta cidade tem um cheiro característico, dizem que é a papel. Não ao papel novo de livros por abrir, antes a papel durante o seu fabrico, há por aqui uma fábrica.  Há muitos portugueses em Neuss. É agradável ouvir gente a falar português. Ir a um café da nossa gente ou simplesmente ir pela rua e perceber o que quem está ali ao lado diz. Sabes o que esta semana me de...

viagens ao ontem

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Se vives numa aldeia com cafés e nenhum deles se chama "Ponto de Encontro" ou "Café Central" põe o braço no ar. Às vezes esforço-me por encontrar memórias da minha infância e não sei delas. Parece que as perdi. Ou que não sei onde as guardei. Lembro-me de uma ou outra coisas soltas e nem lhes sei o contexto. Outras vezes, graças a ninharias que parecem a ponta de um novelo, encontro metros e metros de recordações. E hoje foi um café, perdido no meio da Serra do Caramulo, com o famoso nome de "Ponto de Encontro".  Oh, o meu "Ponto de Encontro"... A minha mãe trabalha por turnos há anos. Quando eu era miúda, sempre que ela fazia o turno da noite, dormia em casa de uma das minhas avós. Sempre que dormia em casa da minha "avó de lá de cima" (era como eu a distinguia da outra) a minha mãe ia almoçar connosco no dia seguinte. Ainda antes de ela chegar, eu ia ao café. - Traz um sumo dos grandes, assim dá para as duas e fica para o...

(des)conectado automaticamente

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- Eu vou mais cedo. Ajudo-te a pôr a mesa. Subi as escadas, as mesas estavam a ser montadas na rua. Fui buscar os pratos. Estranho como esta era a tarefa que mais detestava e como agora consigo percebê-la como mais um momento de comunhão. Quem nunca aproveitou o momento em que se põe a mesa para trocar confidências com quem está a cozinhar? Estávamos todos, hora de sentar. Chateia-me as pessoas que começam a comer ainda antes de estarem todos sentados. Há quem tenha jeito para chegar à sobremesa antes de outros terem posto sequer a colher dentro da sopa. E isso tira-me do sério.  - Adoro as batatas assim. Estão mesmo boas. Melancia para a sobremesa. Que se abra mais uma garrafa de vinho. Abstraio-me. Ouço a rolha saltar. E agora apreciem! Apreciem o chapinhar do vinho a cair no copo. E pára tudo. Que se silencie o mundo. Quero ouvir só isto. Risos soltos. Uma noite quente. E ainda o vinho a cair no copo.  "A melhor rede social ainda é uma mesa rodeada de amigos....

imperativo

Mantém-te firme naquilo que és. Rege-te pelas leis que o teu ser criou. Faz do teu objectivo uma realidade concretizada. Alcança assim o (quase) missão cumprida. Corrige-te! Torna original cada pormenor da tua personalidade. Bate com a cabeça, cai. Levanta-te. Ergue-te ao sol. Mostra que vieste para ficar, que estás pronto para, num só sopro, fazer voar e desaparecer cada réstia de pó que teima re lembrar a queda. Cura as feridas mas guarda as cicatrizes. Sonha. Voa. Volta a cair, mas experimenta uma nova técnica. Não queiras morrer estúpido. Comete erros diferentes! Arrisca! Cresce e faz crescer! Não te deixes ser uma bola de neve. Não te deixes, simplesmente, ir. Faz por tomar as rédeas, por decidir o teu próprio rumo. Não te prendas por rodeios sem nexo nem deixes de ser quem és. Não esqueças que podes ser o melhor exemplo e que depende de ti o teu desfecho, o desenrolar da tua história. Tu és o que és. Mas podes limar arestas e afiar vértices! Tu fazes de ti aquilo que queres desd...

Quinze dias ou três semanas

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Agosto é o mês das festas. Agosto é o mês em que as casas fechadas durante todo o ano vêem a luz do dia, através das janelas escancaradas.  Agosto é o mês em que vemos mais carros estrageiros que portugueses. Agosto é o mês em que todos os emigrantes da família estão por cá. Oh, já chegaram! Estão cá quase todos. Devo ser a única pessoa neste país que não tem família em França (ou na França, como dizem as mães idosas cujos filhos partiram além fronteiras). Mas tenho na Alemanha e na Suíça e já tenho amigos em Inglaterra. Outro dia questionava-me sobre o que vou fazer com o meu primeiro ordenado e talvez a resposta seja: poupá-lo o mais possível para começar o pé de meia para as viagens. Tenho imensos destinos de sonho. Mas estes, onde está um pedaço de mim, deixam-me curiosa. Saber como é o seu dia-a-dia, o que se faz por lá, o que os deixa felizes, aquilo de que não gostam. Não estamos a falar de alguém que foi de férias, falamos de alguém que, sem outra alternativa, abandono...

Conhecimentos adquiridos

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Eu, estudante de um curso de letras, dou por mim sentada num mini-anfiteatro a ter uma unidade curricular (que agora já não se pode dizer cadeira) denominada guionismo, que eu achava que ia ser extraordinária e afinal não foi assim tanto (mas isso dava outro texto), em que me falam da simpatia para com o anti-herói, ou seja, uma espécie de empatia e até identificação para com o vilão da história. Da primeira vez que ouvi isto achei que devia andar a ver os filmes errados ou então que não percebia nada disto e que nunca tinha sabido detectar o tal anti-herói. Qual não é o meu espanto quando ontem, no autocarro, com uma situação real e que se estava a passar ali, diante dos meus olhos, eu percebo exactamente o que se quer dizer com a tal expressão «simpatia para com o anti-herói».  Entro no autocarro quase vazio. Sento-me no par de bancos imediatamente atrás da porta de saída. Está um calor abrasador e sei, pela minha experiência invernal, que as portas dos autocarros velhos ...

(besteiras de meia noite)

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Tenho saudades tuas, Amor. Tenho saudades daquele teu jeito de me fazeres cócegas na barriga, da tua capacidade de me pores sempre a rir. Tenho só saudades tuas. "Quantas vezes eu já comi pensando que este vazio era fome." e não é! É só a tua ausência, esse teu jeito de estar longe. Mas sim, eu já percebi que tentar forçar-te não resolve nada, tu vens quando queres e te apetece. Tens a mania... Tudo bem. Mas macacos me mordam se eu não hei-de estar à tua espera, acordada, até que me ardam as pálpebras. Não deixo mais que me passes ao lado. Tenho saudades tuas, Amor. 

salário mínimo

- Recebi hoje o cheque da reforma, tenho medo de ir levantá-lo sozinha, não queres vir comigo? E eu vou, mesmo sabendo que tenho apenas dez anos e que se quiserem assaltá-la isso não faz qualquer diferença... Saímos cedo para sermos das primeiras a ser atendidas nos correios. Na noite anterior durmo lá em casa para facilitar todo o processo. Pequeno almoço: torradas com manteiga.  Dinheiro na mão. Separamo-lo em bolsas diferentes, suponho que para salvaguarda, e guardamo-las em compartimentos diferentes da mala. Vamos agora ao mercado. Acho que nunca fiquei muito atenta ao que se passa por lá, não me lembro dos pregões ou dos cheiros (que eu sou perita em guardar). Subimos as escadas rolantes (sim, este mercado novo tem escadas rolantes)... Não, na verdade vamos pelas normais, ela sempre teve muito medo de escadas rolantes. Subimos as escadas tradicionais e vamos espreitar as banquinhas de roupa do primeiro andar.  - Escolhe uma camisola, gostas desta? Leva.  E l...

Olfato.

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(dissertações) Se o dia te correr mal, come um pêssego. Mesmo que não seja o mais doce do mundo, come-o. E pensa em todo o tempo que perdeste a lamentar-te por amargos de boca sempre que comeste pêssegos. Pensa em todos os sorrisos que desperdiçaste. Acaba de comer o pêssego. Saboreia-o até à última dentada. Se for suficientemente suculento, deixa que o sumo te escorra pelos pulsos, até se aproximar dos cotovelos. E se tiveres sujado a cara toda, melhor ainda. Ri que nem uma criança. Depois limpa-te. E sorri ao lembrar esses súbitos momentos de insanidade. Esquece o pêssego e segue a tua vida. Vai cumprindo o plano que tinhas para o resto desse dia. E ao primeiro tropeção, leva a mão à cara e sente o cheiro que o pêssego lhe deixou. Lembra-te, então, que o Verão chega sempre. Pode chegar mais cedo ou mais tarde, mas chega. E com ele vêm os pêssegos maduros e doces. E quando eles chegarem, podes lambuzar-te a sério, porque a vida não é para comer de faca e garfo .

Água Fresca e Coração Quente... Com Açúcar

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6h30. O despertador toca. 7h40. O autocarro não espera. 8h30. Se não estás, a porta fecha-se. 12h30. Já há fila na cantina. 15h. Os apontamentos não se passam sozinhos. 18h. Quantas páginas faltam estudar? 20h30. Ajuda-me a levantar a mesa. 22h. Falta formatar o trabalho. 23h50. Desisto. 00h00 Vou dormir. (E se isto fosse uma música, nestes parêntesis estaria escrita a palavra "BIS" - e podia ser um BIS de Besta Insensível mas Sexy, mas não, seria só de repetição.) Assim têm sido os últimos dias, tal e qual aquela imagem que se tem tornado viral no Facebook  e que diz que tem x dias para salvar o semestre. Assim tem sido a minha vida. Este semestre, este ano passou a correr. Como diz a minha mãe, "mal tive tempo para me coçar". Só eu sei a quantidade de vezes que achei que ia perder a sanidade mental (a pouca que me ficou da AE no secundário e outras coisas mais dentro do género). Olhando bem, houve dias que pareceram ter 50 horas e semana...
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Há muito tempo que gosto de ti. Há muito tempo que gostas de mim. E vamos gostar sempre um do outro, não é? Eu sei que não sou uma loura bonita como aquela das Marés Vivas , mas tu não te importas, pois não? Eu só quero passear contigo, de mãos dadas, à beira-mar, fazer piqueniques à beira-rio, receber uma flor no meu aniversário e dar-te em troca, como agradecimento, um abraço cuja duração não se esgote. Vamos esperar que tu tenhas barba e, nesse dia, apresento-te aos meus pais. Digo-lhes: É dele que eu gosto, desde sempre! Não precisas de me apresentar aos teus na mesma altura, temos a vida toda para isso. Podes esperar que eu entre na universidade, ou que consiga o primeiro emprego. Ou, se quiseres, podemos ir já hoje; dizemos-lhes que gostamos muito um do outro, assim como os gatos gostam de leite; que quando formos crescidos, vamos partilhar a casa na árvore que eles fizeram para ti e, que se os meus pais deixarem, levo para lá a minha almofada preferida. Tens de t...

Pedaços de mim (e de ti, quem sabe) - músicas da minha vida (PARTE 2)

( para ouvir as músicas basta clicar nas hiperligações ) Basta! Basta de tanta conversa barata, não vale nem a beata deste cigarro que fumo (que é como quem diz: chega de falar de mim). E tu? Que é que tu fazes? Estás farta dos serões a navegar na Internet ? Queres dançar, sentir calor, sorrindo à toa, só vibrando amor e paz ? Seria muito mais fácil se houvesse um curso, área vocacional, uma busca na net ou um anúncio no jornal para nos ensinar a viver, não era? Se assim fosse, ao seguires todas as instruções do manual, quando desses por ti o tempo teria voado… Portanto pega no horizonte que trazes dentro do teu olhar , sente a brisa que passa e arrepia , quando conheceres alguém sê a data para marcar no seu calendário , sê tu, tu tens um jeito singular, tu tens um toque especial , nem precisas de ser diferente daquilo que és, as coisas vulgares que há na vida não deixam saudade . Traça os teus objectivos, faz por ser construtor de um mundo novo, caminhando no amor . Prometes qu...