Há muito tempo que gosto de ti. Há muito tempo que gostas de mim. E vamos gostar sempre um do outro, não é? Eu sei que não sou uma loura bonita como aquela das Marés Vivas , mas tu não te importas, pois não? Eu só quero passear contigo, de mãos dadas, à beira-mar, fazer piqueniques à beira-rio, receber uma flor no meu aniversário e dar-te em troca, como agradecimento, um abraço cuja duração não se esgote. Vamos esperar que tu tenhas barba e, nesse dia, apresento-te aos meus pais. Digo-lhes: É dele que eu gosto, desde sempre! Não precisas de me apresentar aos teus na mesma altura, temos a vida toda para isso. Podes esperar que eu entre na universidade, ou que consiga o primeiro emprego. Ou, se quiseres, podemos ir já hoje; dizemos-lhes que gostamos muito um do outro, assim como os gatos gostam de leite; que quando formos crescidos, vamos partilhar a casa na árvore que eles fizeram para ti e, que se os meus pais deixarem, levo para lá a minha almofada preferida. Tens de t...
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A sociedade que cheira a sovaco
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Catarina Martins
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A partir de: Mas os portugueses são pequenos mortos carregados de bandos de filhos. Lastimam-se, lamentam-se, queixam-se; só raramente protestam, só raramente se indignam; falam baixo. Raquíticos, supersticiosos, ignorantes, obesos, confundem passado, presente e futuro, embebedam-se, escarram no chão, batem nas mulheres, recriminam-se uns aos outros, investem-se de mitos primitivos, habitam espaços reduzidos em bairros infectos, elevam o som das rádios para lá de limites suportáveis, discutem futebol toda a semana, crêem na má-sorte, acreditam no milagre de Fátima, amontoam-se, tornam-se patéticos com a modéstia objecta dos seus desejos; voltam a embebedar-se. Ei-los maltratados, agredidos, feridos, arranhados; e resignam-se à ilusória ficção de que, quando contam as suas desgraças, são escutados com reverente compreensão e simpatia. E fazem-no sem pudor. Satisfazem-se demonstrando as suas misérias; até publicamente. Nas bichas dos carros eléctricos, no interior dos autocarro...
"A Campeã Voltou!"
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Catarina Martins
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Escolíadas! - Até as paredes da D. Dinis emanavam este cheiro! Na escola respirava-se arte. Desde os membros do clube de teatro, sempre atarefados, aos nossos músicos cujos instrumentos já choravam de tanto treinar, (...) e, por fim, mas não menos importante, à claque, que dava voz a cada bater de palmas, que ficava rouca por cada hora de almoço gritada, que enchia os pulmões de companheirismo, empenho e muito trabalho, todos estava envoltos numa nuvem de vontade, diversão e esperança. Não pensem que é fácil, não o é! (...) É complicado tentarmos levar algo tão grandioso como a "Arte da Juventude", para a frente, cada passo é uma vitória e a taça, no final, seria a lufada de ar fresco. Há pessoas que dão o litro, o quilolitro por isto, dão de si tudo o que têm e oferecem também o que já não têm. Há gente, aqui dentro, que se define por este espírito escoliástico que é inspirar esforço e expirar respeito enquanto se luta pela vitória que, ao fim e ao cabo, é só a ...
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Catarina Martins
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Valorizo um beijo ou um abraço no meio do meu barulhento silêncio. Valorizo cada segundo que passo a olhar o sol. Valorizo o som do mar. Valorizo a luz e a escuridão. Valorizo um sim e um não. Valorizo-te a ti e a mim. Valorizo o 'vós' e um possível 'nós'. Valorizo o meu André e o meu Bernardo, a minha Bia e a minha Inês, a minha Tânia e a minha Bárbara, o meu Tiago e o meu Paulo, a minha Ana Isabel e a minha Ana Beatriz... Valorizo o ar que respiro. Valorizo um olhar e um suspiro. Valorizo tudo o que me mantém viva! [Exercício para Moral , 22 de Abril de 2009]