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A mostrar mensagens de Agosto, 2014

viagens ao ontem

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Se vives numa aldeia com cafés e nenhum deles se chama "Ponto de Encontro" ou "Café Central" põe o braço no ar.

Às vezes esforço-me por encontrar memórias da minha infância e não sei delas. Parece que as perdi. Ou que não sei onde as guardei. Lembro-me de uma ou outra coisas soltas e nem lhes sei o contexto. Outras vezes, graças a ninharias que parecem a ponta de um novelo, encontro metros e metros de recordações. E hoje foi um café, perdido no meio da Serra do Caramulo, com o famoso nome de "Ponto de Encontro".  Oh, o meu "Ponto de Encontro"... A minha mãe trabalha por turnos há anos. Quando eu era miúda, sempre que ela fazia o turno da noite, dormia em casa de uma das minhas avós. Sempre que dormia em casa da minha "avó de lá de cima" (era como eu a distinguia da outra) a minha mãe ia almoçar connosco no dia seguinte. Ainda antes de ela chegar, eu ia ao café. - Traz um sumo dos grandes, assim dá para as duas e fica para outra vez. Sempre…

(des)conectado automaticamente

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- Eu vou mais cedo. Ajudo-te a pôr a mesa. Subi as escadas, as mesas estavam a ser montadas na rua. Fui buscar os pratos. Estranho como esta era a tarefa que mais detestava e como agora consigo percebê-la como mais um momento de comunhão. Quem nunca aproveitou o momento em que se põe a mesa para trocar confidências com quem está a cozinhar? Estávamos todos, hora de sentar. Chateia-me as pessoas que começam a comer ainda antes de estarem todos sentados. Há quem tenha jeito para chegar à sobremesa antes de outros terem posto sequer a colher dentro da sopa. E isso tira-me do sério.  - Adoro as batatas assim. Estão mesmo boas. Melancia para a sobremesa. Que se abra mais uma garrafa de vinho. Abstraio-me. Ouço a rolha saltar. E agora apreciem! Apreciem o chapinhar do vinho a cair no copo. E pára tudo. Que se silencie o mundo. Quero ouvir só isto. Risos soltos. Uma noite quente. E ainda o vinho a cair no copo.  "A melhor rede social ainda é uma mesa rodeada de amigos."

imperativo

Mantém-te firme naquilo que és. Rege-te pelas leis que o teu ser criou. Faz do teu objectivo uma realidade concretizada. Alcança assim o (quase) missão cumprida. Corrige-te! Torna original cada pormenor da tua personalidade. Bate com a cabeça, cai. Levanta-te. Ergue-te ao sol. Mostra que vieste para ficar, que estás pronto para, num só sopro, fazer voar e desaparecer cada réstia de pó que teima relembrar a queda. Cura as feridas mas guarda as cicatrizes. Sonha. Voa. Volta a cair, mas experimenta uma nova técnica. Não queiras morrer estúpido. Comete erros diferentes! Arrisca! Cresce e faz crescer! Não te deixes ser uma bola de neve. Não te deixes, simplesmente, ir. Faz por tomar as rédeas, por decidir o teu próprio rumo. Não te prendas por rodeios sem nexo nem deixes de ser quem és. Não esqueças que podes ser o melhor exemplo e que depende de ti o teu desfecho, o desenrolar da tua história. Tu és o que és. Mas podes limar arestas e afiar vértices! Tu fazes de ti aquilo que queres desde…

Quinze dias ou três semanas

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Agosto é o mês das festas. Agosto é o mês em que as casas fechadas durante todo o ano vêem a luz do dia, através das janelas escancaradas.  Agosto é o mês em que vemos mais carros estrageiros que portugueses. Agosto é o mês em que todos os emigrantes da família estão por cá. Oh, já chegaram! Estão cá quase todos. Devo ser a única pessoa neste país que não tem família em França (ou na França, como dizem as mães idosas cujos filhos partiram além fronteiras). Mas tenho na Alemanha e na Suíça e já tenho amigos em Inglaterra. Outro dia questionava-me sobre o que vou fazer com o meu primeiro ordenado e talvez a resposta seja: poupá-lo o mais possível para começar o pé de meia para as viagens. Tenho imensos destinos de sonho. Mas estes, onde está um pedaço de mim, deixam-me curiosa. Saber como é o seu dia-a-dia, o que se faz por lá, o que os deixa felizes, aquilo de que não gostam. Não estamos a falar de alguém que foi de férias, falamos de alguém que, sem outra alternativa, abandonou a casa

ordem (pouco) natural

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Quando olhamos para pessoas com mais de sessenta anos é frequente esquecermo-nos que já foram novos. Ou melhor, esquecermos que já sentiram a força da vida como nós a sentimos. A minha irmã até acha que as pessoas deviam mudar de nome a meio da vida, pois há nomes que não encaixam bem em certas idades. Como isto, é frequente esquecermos que também, como nós, cultivaram afectos. Esquecemo-nos que também sofreram nos seus amores de adolescência, mesmo que só tenham tido um e que seja o actual. Esquecemo-nos que sofreram de bullyng, apesar de na altura não haver um nome pomposo para isso. E esquecemo-nos que tiveram irmãos. Mesmo que hoje ainda os tenham. É-nos difícil ver neles uma relação de irmãos, porque não os vemos viver na mesma casa nem andar às turras a toda a hora. Quase os vemos como amigos que nasceram da mesma mãe. Porém nas horas de aperto, percebemos que são tão irmãos ou mais do que aquilo que somos hoje. Eles foram irmãos noutros tempos, tempos em que ter mais que 5 ou 6…