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WC, sweet WC

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A pior coisa que pode acontecer-nos quando estamos de visita em casa de alguém: dar-nos uma dor de barriga daquelas que temos de correr, que nem loucos, para a casa de banho. Como se isto não fosse suficientemente mau por si só, há sempre aquelas pessoas que têm, em casa (mais claramente na casa de banho), portas que não fecham em condições, não têm chave ou não trancam (e agora que penso nisso, a minha também não tranca). Todos nós já experimentámos o medo terrível de sermos apanhados de calças nos joelhos e com aquela típica cara de esforço anal. E pior é quando a porta fica muito longe da sanita deixando-nos completamente desprovidos de qualquer arma que possa ser útil para prevenir uma entrada relâmpago. Quando finalmente satisfazemos a nossa necessidade e estamos aliviados pela possibilidade de flagrante ser reduzida, olhamos para o lado e, ups, PAPEL HIGIÉNICO?! Pois é! Os deuses, lá no Olimpo, acham sempre que mais um embaraço nunca é demai...

dorme.

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"Está fresco, mas não demasiado. Ouço os grilos, mas não incomodam. Tudo na medida certa..." A noite já vai escura, hoje mais escura que as habituais noites de Verão Hoje as nuvens subiram ao trono e reinam (quase) implacáveis. Não é uma noite sorridente, daquelas que passamos sentados na rua à conversa com os amigos. Mas também não é uma noite tiritante, daquelas em que só estamos bem fechados, debaixo de cobertores bem quentes. Nem é uma noite comilona, daquelas em que o jantar de família (de preferência, com a família mesmo toda) se prolonga horas e horas e é seguido de um café no varandim e gargalhadas sonantes. É mais uma daquelas noites só minhas: o pano de fundo é o puff preto e a noite escura, os efeitos sonoros são harmoniosamente elaborados por cães e grilos que têm como convidado especial o longínquo ronronar do comboio e a personagem principal? Descalça, sempre descalça. Um dia, alguém me disse que quem escreve tem sempre uma história para contar e q...

Para o meu TU

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Gosto de te ver ganhar asas e ir, apesar de, na verdade, preferir que as exercitasses por cá, no campo de treino das minhas, que é como quem diz: no meu ângulo de visão. Gosto de imaginar a agitação frenética no teu corpo e o brilho do teu olhar. Creio que ambos estejam muito presentes nesta altura de mudança e de novidade. Sei que há muito anseias isto e, por isso, recuso-me a pensar que não te vá fazer bem. Vou ter muitas saudades tuas e... vais ser sempre o Homem da Minha Vida. Ensinaste-me coisas que mais ninguém foi capaz e daí toda a gratidão que te tenho. És uma pessoa fantástica e isso enche-me de orgulho, um orgulho saboroso que me preenche a alma. Eu acho já esgotei todas as palavras que conheço para falar de ti, de tanto que contei, elogiei, defendi, eu sei lá. Só sei que és do melhor que tenho e não ouso falhar-te nunca. "Desculpa as lágrimas, mas é a emoção, já é a saudade (já é a saudade) no meu coração!". Vais fazer-me muita falta!

parecia sério.

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AMIGO : que palavra (aparentemente) tão simples, que palavra (claramente) tão complexa. Não que um amigo seja algo dúbio, dúbio é percebermos quem eles são, distinguirmo-los dos colegas, dos conhecidos, dos que só vão estando. É estranho e deveras desconfortável perceber que podemos estar anos ao lado de alguém que nos tapa os olhos, que nos atira areia aos olhos, que finge (até para si próprio) ser aquilo que não é. E é por isto que as alturas de crise são tão boas, porque num aperto, não temos outra solução que não ser nós mesmos, sem virgulas, reticências ou interrogações; quando há problemas, mascararmo-nos é mais complicado, facilmente o disfarce cai e nos damos a conhecer. É triste (extremamente triste) que seja preciso fracturar um ramo para perceber o quão podre é a árvore e o quão corrompida foi pelos bichos. Bichos como a inveja, a maldade, a malvadez, a falta de carácter... E essa podridão passa a ser, para nós, o rosto do tal (ex-)amigo. De...

meu coração.

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Para "Alguma-Coisa-Que-Também-Escreve-Nos-Tempos-Livres" Quando nos conhecemos inaugurámos a palavra AMIGO. - talvez seja oportuno começar desta forma. Confesso que comecei com aquela inveja docinha no estômago, não é daquela maldosa, não; é aquela que se mistura com admiração. Sempre te admirei pela arte que imprimes nas tuas letras e pelo fogo que vive no teu coração, esse mole e de açúcar que está presente em tudo o que fazes e na medida cheia em que te dás a tudo aquilo em que acreditas. Lembro-me de como soube da tua existência, de como te fui conhecendo através de outra voz, de como mereci a confiança para te ler, de como comecei a conversar contigo, só não sei quando alugaste de forma permanente um pedaço do meu coração. Hoje és, sem dúvida, alguém cuja presença não dispenso, cuja opinião não abdico, cujo sorriso me alegra e cuja felicidade me importa! Tu, que tens em comum comigo o gosto pelas frases feitas, vais gostar desta: Qualquer que seja o fu...

like a fairytale (or not)

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Nos contos de fadas, acaba sempre tudo bem! Os bons ficam com os bons e os maus são sempre punidos. Ninguém gosta que as semelhanças com a realidade sejam diminutas, digamos inexistentes. Ninguém gosta, mas toda a gente sabe. Agora, destes, dos que sabem, há os que vêem e os que não querem ver, os que acreditam na veracidade disto e os que preferem continuar a acreditar na possibilidade da existência de asas semi-transparentes, com purpurinas prateadas e que conferem aos sonhos aquele toque de fada. Eu já não acredito que um dia montes um cavalo branco ou me cantes uma serenata ao luar, eu sei que nunca vai acontecer, mas teimo em dizer ao meu chato coração que ainda é possível, que (mais tarde ou mais cedo) tu vais ver que eu sou mais que a irmã que nunca tiveste, que sou mais que a sombra pouco nítida do teu apego ao mundo. Sabes? Ainda lhe digo que um dia se vai juntar ao teu, digo-lhe que, eu e tu, vamos partilhar a mesma cama, trocar beijos de bom dia e beijos...

Até um dia...

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É estranho escrever sobre o que sinto quando não quero sentir e, ainda menos, perceber o que sinto. É como que uma saudade estranha, que se difunde no ar e que somos capazes de sentir na nossa respiração. É uma constante vontade de partir conjugada com o permanente desejo de ficar. Não ficar para sempre, nem ficar fisicamente. Mas ficar.  O pior que pode acontecer-nos é não sermos lembrados, sobretudo nos sítios e nas pessoas que lembramos. É corrosivo o medo de não marcar, de não ser importante, de passar indiferente à vida e às vidas que estão connosco. E, no fundo, acho que é disso que eu tenho medo, medo que a teia que nos une parta. Eu sei que não vai partir totalmente, há fios que hão-de manter-se com o mesmo vigor e força mas há outros que já se dissolveram no tempo ou na falta dele e nos sentimentos ou na falta deles. Tudo aquilo que existe deve ser alimentado, desde a mais minúscula bactéria ao imenso oceano. Também as relações o ...